"Se se mantiverem algumas das respostas
que estão no terreno, naturalmente que há um efeito amortecedor muito
importante e é possível atravessar este período sem efeitos especialmente
gravosos", disse à Lusa Henrique de Barros, à margem do seminário
"Trabalho sexual e direitos humanos", organizado pela Associação
Piaget para o Desenvolvimento.
Por outro lado, alertou o coordenador
nacional para a infecção do VIH/SIDA, se "além das dificuldades gerais, a
resposta de saúde pública for diminuída", corre-se o risco, "o que
não quer dizer que as coisas aconteçam, de que possa haver um reemergir da infecção",
mas o país tem "na mão o conhecimento e os meios para o evitar".
Para o antigo secretário de Estado da Saúde
Manuel Pizarro, também presente no seminário, há, neste momento, a ausência de
uma "linha estratégica clara", em particular com o desaparecimento do
Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT).
"Arriscamo-nos a desmantelar o IDT sem
ter nada em troca", afirmou Pizarro durante a sua intervenção,
acrescentando que alguns dos projectos a serem desenvolvidos neste momento
requerem continuidade, sob o risco de não virem a ter nenhum resultado por
falta de manutenção.
Segundo Henrique de Barros, que desempenha as
funções de coordenação desde 2005, Portugal tem tido "um caminho
interessante", apesar de se manter na lista dos países europeus com mais
altas taxas de infecção de utilizadores de droga.
"Nós estamos a ver um aumento claro da infecção
entre homens que têm sexo com outros homens. Nós sabemos isto. Temos, portanto,
ainda um caminho que continuar. Se tirarmos a pressão preventiva naturalmente
que as coisas podem agravar-se", explicou o médico.
Lusa
in
http://sicnoticias.sapo.pt/vida/2011/11/25/coordenador-nacional-para-o-vihsida-receia-que-cortes-orcamentais-facam-reemergir-infeccao