domingo, 10 de abril de 2011

O presidente da Associação para um Portugal Livre de Drogas (APLD) não se conforma com a "desistência das instâncias internacionais"

O presidente da Associação para um Portugal Livre de Drogas (APLD) não se conforma com a "desistência das instâncias internacionais"
O tratamento da dependência mais comum é a metadona
O tratamento da dependência mais comum é a metadona
Terminou ontem a reunião em Viena, Áustria, da Comissão de Es
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estupefacientes, inserida no departamento da ONU para a Droga e o Crime (United Nations Office on Drugs and Crime), com uma série de intenções que apelam a uma maior cooperação internacional entre todos os países do mundo.

Relativamente aos tratamentos da toxicodependência, o presidente da APLD, Manuel Pinto Coelho, presente na conferência, lamentou que as decla- rações não tivessem incluído a expressão "livre de drogas" (drug free).

Para o especialista, no que diz respeito ao tratamento, há uma posição dominante e global que aponta para curas com drogas de substituição, o que, no entender de Manuel Pinto Coelho, é "deixar cair a toalha". O presidente da associação, que apresentou uma comunicação na conferência, disse ao i que "vivemos hoje uma cultura de intoxicação, onde a expressão ''livre de drogas'' se está a tornar surpreendentemente fora de moda".

Manuel Pinto Coelho acredita que essa intoxicação poderia ser substituída pela cultura da observação, que deixasse de olhar para a dependência como um todo, mas se debruçasse sobre cada um dos toxicodependentes. Uma espécie de substituição da cultura do pronto-a- -vestir pelo tradicional alfaiate.

O médico considera que há uma desistência global - sobretudo na Europa - na abordagem ao problema da dependência, tratando-a como uma inevitabilidade. Exemplo disso é, nas palavras de Manuel Pinto Coelho, "num universo de um milhão de dependentes na Europa, cerca de 670 mil estão em programas de substituição", o que implica a administração de umas drogas por outras (habitualmente a metadona).

A toxicodependência está a ser referenciada como uma doença, em resultado do que há "uma medicalização" do processo em vez de, sustenta o responsável, se actuar no estado psicológico do dependente, através do controlo emocional e da ajuda para a descoberta da motivação.

Para Manuel Pinto Coelho, há quatro excepções que justificam o tratamento com drogas de substituição: a gravidez, a falência de todos os modelos, a desinserção social profunda e as doenças terminais graves.

Para o presidente da APLD é necessário definir, sem ambiguidade, o que pode ser um tratamento de reabilitação. No final da sua intervenção em Viena, o responsável deixou aos participantes uma definição de tratamento, adoptada pela associação em Portugal: "Todas as estratégias que podem ajudar o dependente de droga a restaurar a sua autonomia e dignidade, com o objectivo de uma vida livre de drogas."

Um comentário:

  1. Olá! Como eu faço paraconseguir algum contato do Dr. Manuel Pinto Coelho??

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